
Depois do Sub-2 em Londres, Qual é o Teu Objectivo? Os Próximos Desafios para Corredores em Portugal
No dia 27 de abril, o mundo da corrida parou.
Em Londres, o queniano Sabastian Sawe cruzou a meta em 1:59:30 — tornando-se o primeiro homem a quebrar oficialmente a barreira das duas horas numa maratona. Yomif Kejelcha seguiu-o com 1:59:41. No mesmo fim de semana, os portugueses também marcaram presença nas maratonas europeias: Carlos Costa registou o melhor tempo do ano de um atleta português em Hamburgo, com 2:15:33.
Foi um fim de semana que vai ficar na história do atletismo.
Mas há uma pergunta que esse fim de semana levantou para milhões de corredores em todo o mundo: e eu, qual é o meu sub-2?
Não literalmente. Mas a metáfora é certa. Cada corredor tem a sua barreira, o seu número que parece impossível mas que, com o treino certo e a prova certa, deixa de o ser.
Em Portugal, há provas que foram feitas para fazer cair essas barreiras.
O que o sub-2 de Sawe nos ensina sobre objectivos
Há um detalhe na forma como Sawe correu Londres que vale a pena reter: não começou demasiado rápido. Correu os primeiros 10km num ritmo controlado, foi crescendo ao longo da prova, e nos últimos 10km fez algo que a maioria dos maratonistas — amadores ou elite — raramente consegue: acelerou.
Negative split. O segundo tempo é mais rápido do que o primeiro.
É o santo graal da maratona. E não é exclusivo dos sub-2 horas — é a estratégia de qualquer corredor que quer fazer a sua melhor prova, seja em 2h30, 3h30 ou 5h30.
A lição não é “corre como Sawe”. É: escolhe uma prova que te dê as condições para correres o teu melhor tempo — e vai preparado para correr a segunda metade mais rápido.
As provas em Portugal onde as barreiras caem
Sub-4h na Maratona? — EDP Maratona de Lisboa | 10 de outubro
Para muitos corredores amadores, o sub-4 horas é o “sub-2” pessoal. É o marco que separa “quem corre maratonas” de “quem corre maratonas bem”.
A EDP Maratona de Lisboa é uma das melhores provas da Europa para cair esse número. O percurso é plano na sua maioria — partida em Carcavelos, costa do Atlântico, margem do Tejo, chegada à Praça do Comércio. Há vento, sim, mas há também uma beleza que faz esquecer o cansaço nos quilómetros finais.
E este ano, a prova ganhou um estatuto novo: é uma das oito fundadoras do European Marathon Classics, o novo circuito que reúne as maratonas mais icónicas da Europa. Lisboa está ao lado de Londres, Frankfurt, Madrid, Roma, Viena, Copenhaga e Varsóvia.
Para quem quer sub-4h, inscreve-te cedo — as primeiras 2.000 inscrições estão a €70.
Sub-2h na Meia Maratona? — Maratona do Porto | 8 de novembro
A barreira do sub-2 horas na meia maratona é o objectivo de uma enorme fatia de corredores regulares. É desafiante, é alcançável com treino consistente, e tem um valor simbólico real.
A Maratona do Porto tem um percurso reconhecido como um dos mais rápidos do país: plano, bem organizado, com passagem pela Ribeira e pela Foz. É a prova ideal para terminar a época com um recorde pessoal — e festejar como merece, numa das melhores cidades do mundo para comer e beber bem.
Partida a 8 de novembro às 08:00, junto ao Sea Life na Via Castelo do Queijo.
Primeira meia maratona? — Douro Vinhateiro | 24 de maio
Para quem ainda não correu 21km e quer que a primeira vez seja inesquecível, a Meia Maratona Douro Vinhateiro é uma das melhores escolhas do calendário. Percurso único em pleno coração do Alto Douro Vinhateiro — Património Mundial da UNESCO — com vinhas em socalco e vista para o rio.
A distância é realista para quem treina há 3-4 meses. E o cenário compensa qualquer quilómetro difícil.
Primeiro 10km abaixo de 50 minutos? — Corrida de Santo António | 7 de junho
O sub-50 minutos nos 10km é uma marca que define um corredor regular de nível intermédio. Não é fácil — mas também não requer um atleta de elite. Requer consistência.
A Corrida de Santo António, em Lisboa, com percurso em Belém, é uma prova rápida num ambiente festivo. O ambiente das festas de Lisboa ajuda. É difícil não correr bem quando há música e pessoas nas ruas.
Define o teu número
O que tornou o sub-2 de Sawe histórico não foi apenas o tempo. Foi o facto de durante décadas parecer impossível — e depois, de repente, acontecer.
A tua barreira existe. Pode ser o sub-5h na maratona, o sub-25min nos 5km, ou simplesmente terminar a primeira meia maratona sem parar. O tamanho do número não importa. O que importa é teres uma prova no calendário, um objectivo concreto, e um plano para chegar lá.
Em Portugal, as provas existem. O calendário está cheio.