
Quantas Provas Deves Correr por Ano? Como Criar um Calendário de Corridas que Faça Sentido
Quando começas a participar em provas com alguma regularidade, é muito fácil querer inscrever-te em tudo.
Uma corrida de 10 km daqui a duas semanas? Porque não. Uma meia maratona no mês seguinte? Parece boa ideia. Os teus amigos vão fazer outra prova no fim de semana seguinte? Junta mais essa ao calendário.
De repente, tens o ano cheio de provas e cada bloco de treino começa a parecer apenas uma recuperação da corrida anterior.
Não existe um número perfeito de provas para correr por ano, mas existe uma diferença importante entre competir com frequência e tentar estar no teu melhor em todas elas.
A ideia é criar um calendário que te mantenha motivado, mas que também te deixe espaço para treinar, recuperar e evoluir.
Começa pelo teu principal objetivo
Antes de escolheres as provas, decide primeiro o que realmente queres alcançar.
Pode ser:
- Correr a tua primeira meia maratona.
- Baixar dos 45 minutos nos 10 km.
- Fazer um novo recorde pessoal na meia maratona.
- Terminar a tua primeira maratona.
- Simplesmente participar em mais provas ao longo do ano.
Esse objetivo principal deve ajudar-te a decidir tudo o resto.
Por exemplo, se a tua prioridade é uma maratona em novembro, correr 10 km em setembro pode ser uma excelente forma de testar a tua condição física. Fazer uma meia maratona no máximo esforço sete dias antes da maratona provavelmente já não será tão boa ideia.
Nem todas as provas precisam de ser a prova.
Provas A, B e C
Uma das formas mais simples de organizar a época é dividir as provas em três categorias.
Provas A: aquelas que realmente importam
São as provas para as quais treinas especificamente.
Fazes redução de carga antes da competição, tens um objetivo claro e tentas chegar à linha de partida descansado e preparado.
Para a maioria dos corredores amadores, ter duas ou três grandes provas-objetivo ao longo do ano já é mais do que suficiente.
Tentar atingir o pico de forma todos os meses normalmente significa nunca chegar verdadeiramente ao teu melhor.
Provas B: importantes, mas parte de um objetivo maior
São provas em que ainda queres correr bem, mas que servem como preparação para outra competição.
Uma prova de 10 km quatro ou cinco semanas antes de uma meia maratona é um bom exemplo.
Podes correr forte e querer fazer um bom resultado, mas provavelmente não vais alterar todo o teu plano de treino em função dessa prova.
As provas B são também uma boa oportunidade para testar:
- Ritmos.
- Nutrição.
- Ténis.
- Pequeno-almoço pré-prova.
- Estratégia de corrida.
- Rotina antes da partida.
Tudo aquilo que não queres experimentar pela primeira vez no dia da tua principal competição.
Provas C: porque competir também é divertido
Às vezes, simplesmente apetece correr uma prova.
Talvez o teu grupo de corrida vá participar. Talvez seja uma corrida de 5 km perto de casa. Ou talvez seja uma prova de que gostas todos os anos.
Estas competições podem funcionar quase como um treino mais intenso dentro da semana.
Sem redução de carga. Sem pressão. Sem a expectativa de que cada resultado tenha de ser um novo recorde pessoal.
E, muitas vezes, são precisamente estas as provas mais divertidas do ano.
Quanto tempo deve existir entre provas?
Depende bastante da distância e, principalmente, da intensidade com que corres.
Uma prova de 5 km é muito diferente de uma maratona.
5 km e 10 km
Corredores com alguma experiência conseguem normalmente competir em distâncias mais curtas com maior frequência, sobretudo quando nem todas as provas são feitas no máximo esforço.
Uma corrida de 5 km pode até substituir um treino intenso daquela semana.
Isso não significa que devas correr 5 km a fundo todos os fins de semana, mas existe muito mais margem para encaixar este tipo de prova dentro de um plano de treino.
Meia maratona
Uma meia maratona feita no máximo exige bastante mais recuperação.
Podes sentir-te bem poucos dias depois, mas isso não significa necessariamente que o corpo já esteja completamente recuperado.
Quando duas meias maratonas são importantes para ti, deixar algumas semanas entre elas permite recuperar, voltar a treinar de forma consistente e preparar a próxima prova com qualidade.
Maratona
A maratona é outra história.
Depois de 42,195 km, a recuperação deve ser levada a sério, mesmo quando tudo correu bem.
Em vez de terminares uma maratona e começares imediatamente a procurar a próxima, dá ao corpo e à cabeça tempo para recuperar antes de iniciares outro bloco de preparação.
Nem todas as provas precisam de ser uma tentativa de PB
Este é provavelmente um dos erros mais fáceis de cometer.
Corres uma boa prova.
Olhas para o resultado e pensas:
“Talvez consiga correr ainda mais rápido no próximo fim de semana.”
Às vezes, até consegues.
Mas tentar competir sempre no máximo acaba por começar a interferir com o próprio treino.
Algumas provas podem simplesmente servir para praticar:
- Correr por sensações.
- Manter um determinado ritmo.
- Fazer uma segunda metade mais rápida do que a primeira.
- Testar nutrição em competição.
- Correr sem olhar para o relógio a cada 30 segundos.
- Acompanhar um amigo num determinado ritmo.
Nem todas as linhas de chegada precisam de vir acompanhadas de um novo recorde pessoal.
Usa provas mais curtas durante preparações mais longas
Provas curtas podem encaixar muito bem numa preparação para meia maratona ou maratona.
Por exemplo, alguém que esteja a preparar uma meia maratona no outono pode organizar o calendário assim:
Agosto: 5 km
Setembro: 10 km
Outubro: meia maratona principal
Os 5 km permitem testar a velocidade.
Os 10 km dão uma indicação melhor da condição física atual.
E a meia maratona continua a ser o verdadeiro objetivo.
Continuas a competir várias vezes, mas cada prova tem uma função dentro do plano.
Deixa espaço para as provas que ainda vais descobrir
Há outra boa razão para não preencher o calendário inteiro em janeiro: vais inevitavelmente encontrar outra prova que vais querer fazer.
Talvez um amigo te convide.
Talvez descubras um evento novo.
Talvez os teus objetivos mudem a meio do ano.
Ou simplesmente apareça uma prova que parece demasiado boa para deixar passar.
Ter alguns fins de semana livres dá-te flexibilidade.
O calendário deve ajudar a orientar a tua época, não prender-te a um plano que fizeste oito meses antes.
Então, quantas provas são demasiadas?
Não existe uma resposta universal.
Uma pessoa que participa sobretudo em provas locais de 5 km consegue competir muito mais frequentemente do que alguém que está a preparar várias maratonas.
Em vez de simplesmente contares o número de provas, faz estas perguntas:
Estou a conseguir recuperar bem entre competições?
Cada prova faz sentido dentro do meu objetivo principal?
Continuo a conseguir treinar de forma consistente?
Ainda estou entusiasmado por competir ou já parece apenas mais uma obrigação?
Quando as provas começam a prejudicar mais o treino do que a complementá-lo, provavelmente o calendário já está demasiado cheio.
Cria um calendário que realmente tenhas vontade de correr
O melhor calendário de provas não é necessariamente aquele que tem mais eventos.
É aquele que te dá objetivos suficientes para manter a motivação, mas deixa espaço para treinar, recuperar e continuar a gostar de correr.
Escolhe uma ou duas grandes metas. Adiciona algumas provas que te ajudem a chegar lá. E guarda também espaço para aquelas linhas de partida que aparecem de forma inesperada.
Quando estiveres pronto para escolher o próximo desafio, podes explorar no RaceFinder provas de 5 km, 10 km, meias maratonas, maratonas e muitos outros eventos e construir um calendário que faça sentido para os teus objetivos.